• 20 de setembro de 2019

A cena que é símbolo da Páscoa e do Lava-pés 2019

Fonte: Cebi
por Andrea Tornielli e Silvonei José, do Vatican News*

O gesto surpreendente e comovente de Francisco em 11 de abril ao final do retiro espiritual de dois dias pela paz no Sudão do Sul, que o Pontífice hospedou na sua casa, tem um sabor evangélico. E aconteceu exatamente uma semana antes que o próprio gesto se repita nas igrejas do mundo todo para lembrar a Última Ceia, quando Jesus, quase na véspera da sua Paixão, lavando os pés dos apóstolos, indicou a eles o caminho do serviço.

Na Casa Santa Marta, depois de ter pedido “como irmão” aos líderes do Sudão do Sul de “permanecer na paz”, Francisco, com visível sofrimento, quis se ajoelhar diante deles para beijar os seus pés. Ele então se prostrou diante do presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, e dos vice-presidentes designados presentes, entre eles, Riek Machar e Rebecca Nyandeng de Mabio.

Uma imagem forte que não se compreende senão no clima de recíproco perdão que caracterizou os dois dias de retiro. Não uma conferência político-diplomática, mas uma experiência de oração e de reflexão comum entre líderes que, mesmo tendo assinado um acordo de paz, custam a garantir que isso seja respeitado.

A paz, para os crentes, se invoca diante de Deus. E se invoca rezando ainda mais perante o sacrifício de tantas vítimas inocentes do ódio e da guerra. Alguma coisa deve ter acontecido naquelas horas na Santa Marta, principalmente entre os líderes do Sudão do Sul que acolheram o convite do bispo de Roma, que tem como título aquele de “Servo dos servos de Deus”. Ajoelhando-se com dificuldade para beijar os pés deles, o Papa se curvou diante àquilo que Deus suscitou durante esse encontro de oração.

O Papa beijou os pés ao presidente da República Salva Kiir Mayardit e aos vice-presidentes-designados presentes, entre os quais Riek Machar e Rebecca Nyandeng De Mabior.

O Papa Francisco exortou os líderes políticos do Sudão do Sul a cumprirem o compromisso de paz que assinaram no ano passado, rezando com eles hoje após dois dias de um retiro espiritual sem precedentes no Vaticano. E acrescentou improvisando:

“A vocês três que assinaram o Acordo de Paz, peço-lhes, como irmão, que permaneçam na paz. Peço-lhes com o coração. Vamos seguir em frente. Haverá muitos problemas, mas não tenham medo, vão em frente, resolvam os problemas. Vocês iniciaram um processo: que termine bem. Haverá lutas entre vocês dois, sim. Que elas ocorram dentro do escritório; diante do povo, as mãos unidas. Assim, de simples cidadãos, vocês se tornarão Pais da Nação. Permitam-me pedir isso com o coração, com os meus sentimentos mais profundos”, disse o Papa.

O Sudão do Sul, com uma população maioritariamente cristã, obteve a sua independência ao separar-se do Norte árabe e muçulmano em 2011, mas no final de 2013 mergulhou num conflito civil causado pela rivalidade entre o presidente, Salva Kiir, e o seu então vice-presidente, Riek Machar.

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