• 7 de dezembro de 2019

Dei Verbum: a Revelação na história

Este é o texto do padre Fávio Colins publicado no Jornal do Maranhão da Arquidiocese de São Luís bi mês de maio.
Padre Flávio diz que “A definição da Revelação como o processo de comunicação de Deus à humanidade nos leva a pensar que ela não se deu de uma só vez”…

Dei Verbum: a Revelação na história

Por padre Flávio Colins, pároco

A definição da Revelação como o processo de comunicação de Deus à humanidade nos leva a pensar que ela não se deu de uma só vez. Com efeito, Deus definiu as etapas da história e, não estando longe de nós, fez com que os homens e mulheres o buscassem ao longo do tempo (cf. At 17,26-28) até que pudessem encontrá-lo.
Do Gênesis ao Apocalipse, a Bíblia é testemunha das várias etapas e do desenvolvimento da manifestação de Deus, aquilo que, na teologia, chamamos de economia da Revelação. Diz a DV 4: “A ‘economia’ cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não há de se esperar nenhuma outra Revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6,14; Tt 2,13)”.
A economia cristã é vista, pois, como “nova” e “definitiva” aliança em relação a uma aliança (alianças) anterior e não definitiva que faz parte da economia do Antigo Testamento; a nova e definitiva é a última etapa no desenvolvimento da Revelação na história, é a aliança no sangue de Cristo, derramado por nós (cf. Lc 22, 20).
Ora, Antigo Testamento quer dizer Antiga Aliança e se refere àquela estabelecida entre Deus e o povo, conforme o livro do Êxodo nos capítulos 19 a 24. Mas ela precisou ser muitas vezes renovada (Ex 34; Js 24) e até mesmo substituída (Jr 31) e isso testemunha o seu caráter provisório/parcial.
Por outro lado, não se compreenderia a Nova Aliança senão em relação a esta Antiga e, deste modo, ela é também necessária. Jesus é o Cristo que Deus Pai enviou para completar a sua obra começada desde a fundação do mundo e preparada pela várias etapas da história da Salvação.
Conforme a DV 3, “Deus oferece um testemunho perene de si mesmo na Criação”; cuidou continuamente do gênero humano, para dar a “vida eterna a todos os que procuram a salvação”. Esse processo se desenrola num arco de tempo de mais ou menos dois mil anos, de Abraão e Moisés até Jesus.
O livro do Gênesis narra a criação, a queda, a vida humana e seus desafios; em seguida, a história de Abraão, de Isaac, de Jacó e seus filhos; mostra o cuidado de Deus com a humanidade e as promessas que moverão toda a economia da Salvação;
Para cumprir suas promessas, Deus chama Moisés, lhe revela seu nome e o envia para libertar o povo hebreu no Egito, depois faz uma aliança com este no Monte Sinai (aliança sinaítica) e lhe dá a Lei como dom de vida (Ex – Dt). Ele, ainda, conduz o povo à terra prometida por meio de Josué e suscita os juízes para libertar e julgar o seu povo (Js – Jz);
Os livros de Samuel e Reis narram como Deus prepara um rei segundo o seu coração para pastorear o seu povo por meio da monarquia e, como, o povo infiel à aliança perdeu tudo no exílio de Babilônia; a história ali narrada é acompanhada pela atividade dos grandes profetas de Israel na defesa da fé e do direito do pobre, da justiça e da paz: Elias, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os outros. Surge também ali a profecia sobre o Messias (2Sm 7) e o anúncio da vinda do Emanuel (Is 7) que mantém viva a esperança do povo em tempos de crise;
Uma releitura da história de Israel – desde a criação até o exílio purificador e o retorno para casa com a reconstrução do templo e da cidade de Jerusalém – nos é dada pela obra do Cronista, Esdras e Neemias que trazem também a nova organização religiosa ao redor do templo;
Os livros sapienciais refletem sobre a fé vivida no cotidiano com seus questionamentos (Sl; Jó; Pr; Ecl; Sb; Eclo); outros livros mostram a assistência e a providência de Deus (Rt; Tb; Jt; Est) e a defesa da fé e da religião (1Mc – 2Mc);
Finalmente, na plenitude dos tempos, o Novo Testamento conta a encarnação do Filho de Deus, sua vida, sua Paixão, Morte e Ressureição. Jesus Cristo é Palavra definitiva no processo da economia da Revelação; é a partir dele que toda a Escritura é interpretada e, nele, vem desvelado o seu sentido último e pleno.

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